RAFAEL LIGEIRO

Um jornalista com velocidade até no nome!

 

 

O que é ser craque? 19/08/2003

 

Há um bom tempo esse é um conceito que acompanha inúmeras atividades, especialmente modalidades esportivas, como o futebol. Mas, afinal, o que é um craque? Com a missão de resolver essa questão comecei a filosofar. E mais que desenvolver meu teorema sobre o assunto, reparei ainda uma tendência: atualmente o vocábulo craque beira à banalidade no principal esporte brasileiro, o futebol.

A explicação é fácil. O Brasil é, inquestionavelmente, dono do melhor futebol do mundo - isso apenas na área esportiva, pois fora das quatro linhas diversos cartolas contaminam o esporte com incompetência e falta de profissionalismo. Contudo, com conturbadas leis de Passe e a desvalorização do Real frente a moedas estrangeiras, como o Dólar e o Euro, a dificuldade para clubes do País manterem jogadores consagrados ficou evidente. Com isso, os clubes passam a buscar nos jogadores das categorias de base soluções mais baratas para a formação de seus elencos. Daí, basta um jogador infanto-juvenil entrar em campo, passar o pé sobre a bola, ensaiar um drible aqui e fazer um gol acolá para muitos críticos já dispararem: "Esse menino é um craque!".

Particularmente, não acredito que um craque seja fabricado do dia para a noite, de uma partida para a outra. Para conquistar tal status, além de experiência, são necessárias muitas outras virtudes. É preciso grande capacidade  na busca para corrigir erros, melhorar ainda mais suas forças e superar dificuldades. Além disso, outro fator relevante para classificar um atleta como craque é a constância, por quanto tempo  é capaz de ficar entre os melhores.  

Um claro exemplo disso é o atacante do Real Madrid e da Seleção, Ronaldo. Depois de padecer com contusões que quase colocaram ponto final em sua carreira, o "Fenômeno" se recuperou esplendidamente graças à determinação nas sessões de fisioterapia. Mais que isso, se adequou às limitações de seus joelhos. No lugar das sensacionais arrancadas dos tempos de PSV Eindhoven e Barcelona, o camisa nove ganhou um estilo mais cerebral em campo, marcada mais pela procura de um excelente posicionamento na área na busca pelo gol. E o resultado é dos mais positivos: foi peça fundamental para a conquista da Copa de 2002 e artilheiro da competição, com oito gols em sete partidas.         

 

Nelsinho Piquet: piloto promissor 

Ao contrário do futebol, a palavra "craque" não é muito usada no nosso bom e velho automobilismo. Aliás, no mundo do esporte a motor existe um termo que deveria ser mais utilizado pelos críticos de futebol: promissor.

É muito fácil indicar uma dúzia de pilotos promissores do Brasil. E o comandante dessa turma é Nélson Ângelo Piquet. Mais que excelentes resultados no kartismo e na Fórmula-3 sul-americana, além da boa campanha na atual temporada do campeonato inglês de Fórmula-3, Nelsinho reúne talento suficiente para virar um "craque das pistas". 

Contudo, é necessário conter qualquer "oba-oba". O filho do tricampeão de F-1 Nélson Piquet ainda não está preparado para a Fórmula-1. Precisa amadurecer profissionalmente. E embora tenha forte suporte do pai - esse sim um já eternizado craque do volante – Piquetzinho precisa tomar cuidado com uma série de percalços que a carreira nas pistas costuma oferecer. 

Dedicação e concentração. Essas são duas das maiores virtudes de um verdadeiro, ou, ao menos, daquele que um dia almeja atingir essa condição. E, até o momento, Nelsinho está no caminho certo.

 

   

      

 

 


 
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