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Dura
recordação de Ímola
05/05/2003
Inimaginável
Grande Prêmio de Mônaco sem o show de Senna na prova de 1984.
Inimaginável automobilismo sem Ayrton Senna. Inimaginável todos os
domingos de corrida não recordar de Ayrton Senna da Silva. E tudo acabou
naquele 1º
de
maio de 1994... Há anos busco uma maneira de passar tudo para o papel.
Contanto, vejo que pouco é suficiente para expressar o que senti naquele
dia.
Acordei
umas oito e pouco da manhã. Naquela época, era somente um garotinho de
nove anos sob a expectativa de ver um de nossas maiores personalidades
vencer. Era tudo o que mais queria. Mas havia uma atmosfera diferente
naquela etapa de San Marino, em Ímola. Um tensão que jamais havia
sentido antes acompanhando automobilismo, algo certamente contribuído
pela morte de Roland Ratzenberger, no dia anterior.
Antes
do GP, a imagem de Ayrton, já no cockpit da Williams, arrumando a
balaclava – com uma expressão melancólica, ficou em minha mente. Algo
parecia aguçar meu sexto sentido, incomodava. Mas, sonhando com uma
vitória de Senna, permanecia firme, à frente da televisão. O safety
car entrou por causa do acidente na largada entre J.J. Lehto e Pedro
Lamy, e permaneceu até a sétima volta. Foi quando o Williams do
tricampeão partiu desgovernado rumo ao muro da Tamburello. A corrida foi
interrompida.
Embora
pasmo com o choque, por alguns instantes respirei aliviado, quando Ayrton
– por estímulos nervosos - mexeu a cabeça. No entanto, quando os
primeiros fiscais chegaram ao local e mantiveram distância, o Brasil
percebeu que havia algo errado. A remoção do tricampeão do carro foi
demorada e, posteriormente, em uma tomada aérea, vi que havia muito
sangue no chão. A situação era pior que esperava. E logo Senna foi
transportado de helicóptero para um hospital próximo ao autódromo, o
Maggiore.
Houve
a relargada depois de um tempo, mas para mim pouco importava: queria saber
era do Ayrton. Como adepto da frase “ídolos não morrem” e na
inocência infantil, acreditava na recuperação do brasileiro como um
presente prometido de natal.
A
corrida acabou, a tarde passava lentamente e, quando surgiu o Plantão da
Globo pensei: “É a notícia de sua recuperação”. Estava errado. Ele
morreu. O que seguiu naquele dia foi um
caos. Passei todo tempo me escondendo, para não mostrar o quanto estava
triste, até que, à noite, chorei. Sabia que nunca mais iria ver a pessoa
que me influenciou a acompanhar automobilismo. Um esporte belo, mas às
vezes bruto.
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